Bem-vindos a este espaço de partilha de todos para todos

sexta-feira, 30 de março de 2018

A Yeshua





A Yeshua

Naquela tarde distante
Em que o céu escureceu
Para sempre nos deixou
O legado das alvoradas

No preciso momento
Em que tudo parou
Em simbiose perfeita
Com todos se identificou

Sua entrega abriu o portal
Aos caminhos feitos de amor
De alto a baixo, o véu fendeu
Para o conhecimento jorrar

E sua voz ecoa nos tempos sem fim

“Sou a Água da Vida que corre em ti
Sou o brilho do teu olhar quando sorris
Sou o arco da tua mão quando dás
Sou o calor do teu gesto de amor
Eu Sou, sempre em Ti
Não te esqueças Tu, de Mim”


Do livro: Hieróglifos do Cosmos



quinta-feira, 29 de março de 2018

Mistérios

 

“Muitas pessoas desejam saber detalhes sobre o Mundo Subtil, (do que está além da percepção dos sentidos), porém a maioria delas não compreende que toda percepção do Mundo Subtil é relativa, pois depende do desenvolvimento da consciência. Assim, cada um o percebe de acordo com o seu estado de consciência”

- Ética Viva –


Voltamos à metafísica e à grande curiosidade que esta suscita actualmente nas mais variadas camadas sociais.

Quantas vezes sob a capa da ironia e de um manifesto desinteresse, os “descrentes “ sentem o apelo generalizado do mistério.
Mistério, é tudo aquilo que a nossa mente racional não tem capacidade de abarcar. Isto não significa que esse facto seja um enigma, ou algo inexplicável.
Em cada uma das nossas vidas, e a cada momento das mesmas, temos sempre as ferramentas básicas que nos permitem trabalhar o nosso desenvolvimento.
O uso que fazemos das mesmas, e o resultado desse trabalho, são a chave da arca do tesouro. E este, mais não é que a renovação de mais e melhores ferramentas que nos permitam o acesso a novas paragens, onde se chega, por caminhos de mistérios desvendados.
Meus amigos o “oculto” de qualquer conhecimento, é apenas a densidade do nosso próprio véu.
É sempre pela intenção de superação, mas mais ainda pela pureza da mesma, que esses véus se vão descerrando.
Em épocas remotas, o conhecimento era preservado ciosamente.
Os mestres das antigas escolas iniciáticas guiavam-se pelo Mito de Elêusis, ou Doutrina da Vida Universal que:  o grão de trigo (alma) de Elêusis, que renasce das entranhas da terra como planta, à luz do dia, depois de abrir caminho à vida divina através da escuridão (esquecimento) em que germina.
Como tal, eram muito poucos os que eram aceites como Iniciados no percurso do conhecimento
Nos tempos actuais, e ao contrário de épocas passadas, o conhecimento já não está retido nos Conventos ou nas Escolas de Mistérios, está ao alcance de todos! Como uma grande latada, os frutos crescem generosos por todo lado.
A pergunta é, porque não os vemos?...porque é preciso levantar a cabeça….crescer em conhecimento e integração do mesmo.
Quando nos permitirmos soltar dos elásticos que nos mantêm dobrados sob o jugo da materialidade – sob o peso de séculos de dogmas – das amarras dos nossos medos, poderemos então alçar o olhar, e eles, os frutos do saber, estão onde sempre estiveram, ali, bem ao alcance da nossa mão.

Maria Adelina de Jesus Lopes



segunda-feira, 26 de março de 2018

Assédio Espiritual e Profilaxia da Alma



Entre as milhares de reflexões que partilhamos ao longo dos anos, algumas delas tiveram uma receptividade especial junto de Vós. Títulos como: “  Metafísica ” – “Obsessores, Gente Como a Gente” – “Mediunidade Conhecimento Espiritualidade”, foram alguns dos temas mais lidos e debatidos.
Estes dados confirmam que seja qual seja a formação ou crença religiosa ou filosófica, existe uma necessidade generalizada de conhecimentos acerca da metafísica e que o estudo dos mesmos permite uma maior e melhor compreensão quer do sentido da vida, quer das demais dimensões e planos da existência, e do Universo.
No entanto, e apesar da “certificação” pela OMS (Desde 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconhece oficialmente esse estado inserido no seu Código Internacional de Doenças (CID 10, item F.44.3 -) este tema continua a ser tabu.
Existem algumas razões para tal, e são derivadas à pouca seriedade e responsabilidade com que muitas pessoas abordam o assunto, ou que os deturpam pela via da sua mercantilização.
Ainda que numa abordagem ligeira, vamos falar um pouco sobre assédio, neste caso pela via espiritual.
São vários os factores que dão azo a uma situação de assédio, sendo os mais comuns: a ignorância – a compatibilidade energética – as dependências físicas – as descompensações emocionais – estados de espírito conflituosos – alterações ou desarmonias psíquicas.
Ainda que outras existam, são estas as vias de atracção mais comuns, pois no assédio espiritual não devemos considerar uma vítima e um vitimador, mas energias com pontos de afinidade.
Amigos, o tempo da desresponsabilização é finito! Como já focado noutros textos, existem vários tipos de assédio, existindo em cada um deles características que tal como uma antena emissora vão captar as ondas emitidas por outros emissores em frequência semelhante.
Por inúmeras vezes já abordamos também a Lei da Atracção e sua incidência constante no nosso dia-a-dia, também nestes assuntos, esta Lei, é Lei…
Vivenciamos tempos de grande turbulência energética, planos dimensionais com diferentes densidades, em vias paralelas muito aproximadas, trazem-nos sensações e percepções nunca antes sentidas em tão elevado grau.
Se nuns poucos as reacções são reconhecidas, já na grande maioria estas vão para o cesto comum: o cansaço, a depressão, o mal-estar generalizado com incidência em pontos vulneráveis do campo físico de cada pessoa.
A todos, a recomendação é: Profilaxia da Alma. Toda profilaxia tem início na higiene, esta, não é excepção…a higiene do corpo, do meio,  mas principalmente dos pensamentos:
- Transpor a barreira da comiseração, da vitimização da inferiorização
- Perfumar o ar com boa-vontade, trabalho, solidariedade
Outro, mas não menos importante ponto de actuação da profilaxia é a prevenção: 
- Compreender que somos seres espirituais, e que esta vertente (real) do Ser deve ser trabalhada e estar presente continuamente
- Renovar interesses, pelo autoconhecimento e auto-estima, transmutando a velha carência emocional, que como todo iniciado sabe, é a busca perene do seu próprio Eu
- Assumir e acarinhar o que se é, no mais e no menos. Pela aceitação o amor eclode e transforma, pois é essa, a razão da nossa missão.
- Viver cada segundo em plena gratidão, pois cada um, é mais um passo do Caminho
- A todos dar as mãos, pelo exemplo ser asa que ensina a voar, corda que permite elevar, tábua que ajude a flutuar, …pois isto, ou o contrário, ou nada, é o que vai ser a nossa onda de emissão e consequente atracção.

Paz e Luz no coração de todos nós


Maria Adelina



segunda-feira, 19 de março de 2018

A Força ou dito de outra forma A Coragem



A FORÇA

" A pergunta que faço a todo homem, mulher ou criança que esteja em treinamento físico, moral ou espiritual, é a seguinte:
- Você é forte? Você se sente forte?
- Porque eu sei que apenas a Verdade produz força. Sei que apenas a Verdade produz vida. Nada nos tornará fortes a não ser que nos encaminhemos na direcção da Realidade e, ninguém alcançará a Verdade, enquanto não se fizer forte. Por conseguinte, qualquer sistema que enfraqueça a mente e nos torne supersticiosos, desanimados e que nos faça desejar toda a sorte de insensatas impossibilidades, mistérios e crendices, não é do meu agrado, porque seus efeitos são perigosos. Tais sistemas nunca trazem qualquer bem; criam uma mente mórbida, enfraquecendo-a e debilitando-a a tal ponto que, com a passar do tempo, torna-se quase impossível aceitar a Verdade, ou viver de acordo com ela.
Força, portanto, é o requisito mais necessário. Força é o remédio para a enfermidade do mundo. Força é o remédio que os pobres devem tomar quando explorados pelos ricos. Força é o remédio que o ignorante deve tomar quando oprimido pelos que têm erudição; e é o remédio que os pecadores devem tomar, quando tiranizados por outros pecadores, Nada propicia tanta força quanto esta ideia de monismo. Nada nos faz trabalhar tão bem, em consonância com o que somos de melhor e mais nobre, como quando a responsabilidade é lançada sobre nós." 
Swami Vivakananda
Como comentário, e, porventura, ferindo a sensibilidade de alguns, permitam-me que vos diga que concordo totalmente com o que Vivekananda diz. Só com força interior somos capazes de trilhar o nosso caminho e aceitar as responsabilidades do mesmo. Só essa força nos dá o sentimento de que quem faz o nosso destino somos nós, que não precisamos de "consultar" as estrelas, de cursos de motivação, de cursos que nos dizem como devemos ser e pensar, alijando totalmente a responsabilidade que devia estar nos nossos ombros, de ter que saber o que fazer e como fazer, sem medos, com a total noção do que somos e do que podemos, sem ser necessário que outros nos digam isso. O ser humano está, sabiamente, diga-se, a ser influenciado no sentido de se ver fraco, dependente e completamente necessitado de ajuda externa para tomar as suas decisões, caminhos, ideais e, tudo isto se tornou um grande negócio.
Somos fracos porque permitimos, porque não queremos ter coragem e isso torna-nos cobardes. E a pessoa que é cobarde, não é de confiança, nem para si mesmo, nem para os outros e, assim se vai destruindo a sociedade. Vamos continuando a procurar fora de nós o que temos no nosso interior!
Aquele que é forte, gere o seu destino, toma-o nas suas mãos e, em bons ou maus momentos segura nas suas mãos o leme do seu barco, por muito alterosas que as ondas sejam. Não procura conhecer o seu futuro porque está cá, com a sua força interior, para o enfrentar... Domina o seu ser, as suas emoções e pensamentos, não cultivando no seu interior a imagem do fraco, infeliz ou dependente. Sabe que depende de si, da sua vontade e força interior e da ajuda que Deus lhe quiser dar. Resta-lhe trabalhar para a merecer. Não digam que não têm conhecimento, que Deus não lho deu. Já semearam para colher? Já trabalharam para ter esse conhecimento? Já se aperfeiçoaram interiormente?
Não... porque isso exige força e determinação interior!

Eu sei... alguns falarão e o Amor? Não é importante? É só a força?
Não meus amigos. É claro que o Amor é essencial. Mas, se quereis vivenciar o verdadeiro Amor, tereis que ter força para o alcançar e não vacilar perante as investidas da personalidade que o tenta contrariar. Tereis que ser fortes para suportar o que esse Amor exige de vós, para o viver em pleno!
E, a Divindade nunca apreciou os "mornos", os fracos, os que têm medo do rigor da Vida e que assim, se negam ao crescimento.
Como diz a antiga divisa:
Querer, ousar, saber e calar!


Carlos Paula


quarta-feira, 14 de março de 2018

Feminilidade




Talvez pareça a alguns, que feminilidade  (não confundir com feminismo)  é um tema descabido para a fase político/social que vivemos, no entanto não o é…porque se torna eminente e urgente o emergir da autêntica feminilidade.
Este conceito tão marcado por épocas, é hoje o mais elevado tesouro que se pode redescobrir, quando entendido e vivenciado numa legítima dinâmica evolucional.
Ao longo das eras a feminilidade foi decalcada em moldes diferenciados, mas sempre pelas mãos do mesmo escultor, o “machismo”, poder tomado pela consciência masculina, numa submissão acomodada da consciência feminina.
Hoje, o escultor fenece pela supressão do arbitrário poder, e o campus (a consciência planetária) materializa em si todas as condições onde a feminilidade desabroche em plenitude.
No entanto, a semente está maculada por vincos profundos que deturpam a sua essência.
Requer-se interiorização, conhecimento, maturidade, libertação das amarras do ego inferior, que suprimam, o último reduto desse poder estereotipado, mercantilista, que fomentam as “máscaras”, a que chamam feminilidade.
O patamar da verídica feminilidade não é uma quimera inalcançável, mas sim um conjunto de características inerentes à Alma em transição, que clamam por serem reconhecidas e vivenciadas no plano da consciência lúcida e comum.
No amor, a feminilidade é a assunção das características e das magníficas diferenças complementares entre os géneros, é o desabrochar da deusa em cada ser, tão só e apenas, pela implementação da veracidade dos sentimentos.
A feminilidade é coragem, é fortaleza, é perseverança, é o fluxo e o refluxo das marés que nada pode abalar.
Na sexualidade, a autêntica feminilidade induz à fusão alquímica, o “el dorado” dos relacionamentos, tão procurado, e tão raramente encontrado.
Na família e na sociedade, a feminilidade é o bastião sagrado, a pedra angular que sustêm a construção fomentadora da sociedade que almejamos.
Em todas estas vertentes uma característica é fundamental, sendo a que mais define ou traduz a feminilidade, que é a entrega plena.
Egoísmo, injustiça, indiferença, não se conjugam com a autêntica  feminilidade – esta não se adquire, ela é inerente à essência do ser, é a candeia interna, poderosa, que faz nascer o sol no olhar, a ternura nos gestos, a esperança nos sorrisos, é a onda invisível, magnética, que eleva e suaviza a Alma no seu caminho dual.



Maria Adelina 






segunda-feira, 12 de março de 2018

Mulher/Criança



Na derivação e ressonância do "Integro Ser Mulher" convido à reflexão sobre uma classe muito especial de mulheres, a mulher/criança, aquela que se prepara para ocupar o seu lugar numa sociedade onde o universo feminino, mais que ser homenageado um dia por ano, precisa ser reconhecido na sua pluralidade vivencial, e mais ainda, como trave-mestra da família humana.
Esta, é uma mudança profunda, premente e fundamental, que só pode ser concretizada no interior de cada mulher. Para a semente germinar no âmago da mulher/criança, estes conceitos e posturas de vida, devem ser já os campos floridos da sua família, onde ela cresce de corpo, mente e Alma…
O que estamos a dizer-vos é que não é o sistema politico, nem os dirigentes, que podem mudar estas formas de estar, é apenas a MULHER, todas e cada uma, que têm esse poder, aqui e agora!
Um pouco por todo o mundo, vamos tendo conhecimento de hábitos e costumes aplicados em mulheres/crianças, bárbaros, cruéis e anti-naturais que nos horripilam e levam a uma profunda indignação. 
Este estado de espírito, deve ser canalizado, na serenidade possível,  para o apoio pessoal ou institucional, que por sua vez promovam acções, que levem á mudança consciencial dos povos onde esses “hábitos” são considerados normais.
No entanto, e melhor ainda, esse estado de espírito deve ser mote de reflexão honesta e profunda dos hábitos da nossa sociedade, educacionais e sociais, onde, sob uma pretensa bandeira de liberdade, a mulher, a mulher/criança, continuam a ser, alvo de desrespeito e abuso. Por aqui, neste nosso mundo ocidental, países considerados de “primeira linha”, devemos atentar:

- Para a alta estatística dos abusos sexuais a crianças nos meios familiares maioritariamente perpetrados  por familiares.
- Para a falta dos mais básicos princípios de respeito da imprensa diária para com a sociedade, através das suas páginas (de acesso livre a todas as crianças), onde se fomenta o grande negócio da actualidade, a escravatura sexual.
- Para os ditadores da moda e os gestores do mercantilismo e do mundanismo, que inundam todos os canais informativos mediáticos com produtos de todo género, que apelam á imagem da mulher como produto vendável.

Estes estímulos, tantas vezes promovidos pelos próprios pais, levam a um profundo desajuste psico/emocional, cujos reflexos se farão notar no decorrer da vida da jovem mulher.

A mulher/criança, tem o seu ciclo de desenvolvimento próprio e apropriado. Gradualmente, e a seu tempo, ela irá fazendo a assimilação dos trilhos da sua missão de vida. Esse é o processo temporal do amadurecimento natural do corpo e do espírito da criança, fortalecendo-a para a vivência plena da sua condição de Mulher.

O conceito a que chamamos “inocência”, (hoje tão esquecido) é uma placenta tão fundamental para o sadio desenvolvimento psíquico da criança, como o é, a placenta uterina.

Toda acção, vivências, hábitos, cedências, que sejam inapropriadas ao ciclo natural da criança, promovem uma erotização extemporânea, que fere e prejudica gravemente o seu campo parapsíquico, ainda em formação.

Apelamos, de forma profunda, a que cada Mulher/Mãe, se imbua do espírito de Deméter , a grande Deusa, na assimilação do seu imensurável capital de poder e coragem, para uso e protecção da Criança/Mulher, e de todas as crianças, fundações pela continuidade da humanidade.


Maria Adelina







domingo, 11 de março de 2018

Urge a Mudança...fundamentalmente que a Mulher assuma, de novo, a sua dimensão



MAIS UM DIA DA MULHER

Falar sobre o Dia da Mulher é outra rotina, neste caso anual, em que se entrou. Fala-se muito, escreve-se muito, há muitos arroubos de inflamados discursos, tudo muito lindo e unido mas... depois voltamos ao mesmo.
A mulher a ser escrava do Homem, em muitos países, ainda maltratada e desconsiderada em muitos mais, coleccionada por homens que, cegos pelo seu pretenso poder, as tratam como se fossem animais de estimação, possuindo na sua casa duas, três ou mais mulheres, considerando que tudo na vida dele é mais importante do que qualquer uma delas...podendo matar, de diversas maneiras qualquer uma delas, se entender que a sua "honra masculina foi manchada"... ainda muitas vezes apoiado pelas leis do seu país... e ainda se chama a isso de cultura, a qual ninguém tem o direito de criticar. Quanto honra,. quanta dignidade... Enfim, ela tem a culpa de todo ou quase todo o mal que lhe acontece Digamos que é na mulher que se descarrega toda a podridão da energia masculina, esquecendo todas as provas de amor, abnegação, dádiva e a Vida, que por elas lhes foi dada. É certo que existem excepções, mas...
De um modo diferente, já mais civilizado, mais "envernizado", na maioria dos países ocidentais o panorama já se afigura diferente, sendo esse panorama, muitas vezes, mais uma moda social, um querer parecer evoluído, do que sincero, vindo do seu âmago, bastando, para isso verificar como as coisas se passam de portas de casa para dentro, fora das "vistas" alheias... A mulher continua a ser maltratada, violada, morta, muitas vezes, existindo ainda muitos homens que, no silêncio da sua mente,e sem o confessarem, aprovam muitas dessas acções...
Do ponto de vista económico, apesar das operações de "cosmética" em muitas empresas, governos e organismos internacionais, a mulher continua a trabalhar mais e a receber menos, já para não falar no "serviço" em casa... Vai mudando, sim, mas devagar.
Continuam-se a discutir as cotas sobre o número de mulheres em governos, empresas, organismos internacionais, com um ar de benevolência e "caridade", quase como se de uma esmola se tratasse. Que humildade e amor incondicional, neste caso, da energia masculina...
O simples facto de discutir essas cotas já tem, implícito, o estigma e a falsidade de todo o acto! Já é afirmar a própria diferença. Como se de uma tolerância se tratasse...
É um quadro ainda negro, mas é a verdade. Não adianta negar!
E, enquanto isto continua a acontecer, vai-se negando à mulher o verdadeiro papel que lhe cabe, que é o de ser a sacerdotisa da Vida, o instrumento do equilíbrio e de mudança no planeta, porque é Ela que dá a vida, educa, forma consciências e pode, efectivamente mudar o mundo. A energia masculina continua, ainda, a ter medo da Luz e Amor que da mulher emanam. da sua majestade e dignidade... por isso, quanto mais a rebaixarem, melhor... para quem?
Urge o equilíbrio, urge a mudança, urge a mulher ignorar completamente os métodos masculinos, não os imitar e revelar toda a sua essência, com tal força que ajude na transmutação da energia masculina. O homem não existe sem a mulher e vice-versa. É tempo de aprenderem que os dois são um só! São as duas manifestações de uma só Energia e uma só Consciência! E apenas uma coisa os une e os transforma num só: o Amor!
Poderá Universo continuar a consentir que uma das duas energias da manifestação continue a ser assim maltratada?
Será que o homem vai continuar a não ver que a desgraça da mulher, é a sua própria desgraça?
Até quando?



Carlos Paula


quarta-feira, 7 de março de 2018

Escravatura e Felicidade






Escolham-se os critérios que se escolherem para se avaliar o nosso nível de vida, da saúde à educação, da alimentação à cultura, do ambiente à democracia, da justiça ao emprego, as conclusões são as mesmas e notórias: a nível global estamos a viver melhor do que nunca”.





A frase acima transcrita faz parte de um artigo de opinião do advogado Adolfo Mesquita Nunes, publicado na edição de 05.03.2018, do Jornal de Negócios.
Aquela frase foi a rampa para que as ideias se construíssem na minha mente pois há muito que venho pensando num tema que, a cada dia que passa, me deixa mais preocupada e pensativa: a Escravidão.
Fala-se, escreve-se e filma-se muito sobre a escravidão. Temos por exemplo o livro “Equador” de Miguel Sousa Tavares, ou do aclamado filme “12 Anos Escravo”, cujo realizador é Steven Rodney "Steve" McQueen, também ele negro.
A escravidão é um dos retratos sombrios, entre tantos, do desenvolvimento da Humanidade. O esclavagismo era tido como normal e sem ele determinados países não concebiam nem conseguiriam o respetivo desenvolvimento. Portugal foi dos primeiros países a determinar a abolição da escravatura, decorria o ano de 1761. Obviamente que desde a decreto que abolia formalmente a escravatura até à verdadeira efetivação da mesma, muita tinta e sangue haveriam de correr. Mas isso são outras histórias e não desejo aqui estar com aulas de história até porque não tenho pretensões a ser professora. Quem desejar que procure porque a aprendizagem até deve ser uma constante nas nossas vidas.
O propósito que aqui me traz tem apenas a ver com a escravatura dos tempos modernos. O autor do artigo de opinião a que me refiro tem razão quando diz que “estamos a viver melhor do que nunca”. É verdade: temos casas mais confortáveis, os cuidados de saúde estão mais facilitados, os nossos filhos têm o que nunca tiveram, há uma panóplia de máquinas à disposição no mercado para lavar, secar, aspirar, cozinhar (só é pena não haver uma que engome – mas parece que estamos a caminho do seu surgimento), ao virar da esquina temos um take-away, e um sem nunca acabar de outras coisas. Ou seja, vivemos no mundo encantado dos brinquedos (quase).
Agora, deixem-me referir umas coisitas:
Uma manhã soalheira de domingo, saí de casa com o meu marido e fomos esticar as pernas até à praia. Maravilha! Passadas duas horas, ou coisa parecida, entro em casa e o meu telemóvel começa a anunciar-me que tenho mensagens novas. Saco do dito e aparece-me um “boneco” que só ao fim de algum tempo identifiquei como sendo do google maps. Abri o ícone e helas! Uma pergunta maravilhosa: dê a sua opinião sobre a Praia das Pedras Amarelas. Certamente já perceberam que foi uma das praias por onde passei. Como é que o google sabia que eu tinha passado por aquele local? E porque razão haveria eu de responder? Logo eu que não respondo a inquéritos. Acham fantástico? Eu não! Vou arranjar modo de desativar o google maps. Afinal sou uma defensora dos mapas em papel (mea culpa pela minha pegada ecológica). Durante muitos anos, lá em casa, tivemos numa das paredes da cozinha um planisfério. Excelente para aprendermos as capitais e as cidades dos países. Quando jogávamos o jogo das palavras (felizmente, lá em casa, ainda temos esse hábito) havia sempre alguém que tinha sede na altura de indicar uma cidade, o que obrigava a uma deslocação à cozinha.
Muito recentemente, tive necessidade de, através do google, fazer uma pesquisa relacionada com Arcos de Valdevez e arredores: acessos, o que visitar, freguesias. Ou seja, nada de especial. Hoje, recebi via e.mail um convite para participar no Dia da Mulher, aproveitando uma estadia na “A*** H***”, em Arcos de Valdevez. Ora nem sequer procurei estadias; somente pesquisei, em geral, Arcos de Valdevez. Mais uma vez a minha vida privada foi invadida.
Hoje, de manhã, ouvi na rádio, que, graças a uma portaria, ontem publicada, os bancos vão ter que comunicar ao fisco todos os movimentos que o cliente faça com cartões, seja de que tipo for, comunicação à qual não escapam até os cartões refeição. Não acho normal que o fisco tenha que saber o que faço com o meu dinheiro. Dizem que é para combater a corrupção e a fraude e a evasão fiscal. Somos, realmente, um país sem fraudes e sem corrupção.
Até 25 de maio, próximo, em Portugal tem que entrar uma lei, transposta de uma diretiva comunitário, sobre Proteção de Dados que, basicamente, destina-se a proteger os dados pessoais dos cidadãos. Levantam-se vozes indignadas. Certo! Mas não serão estas as vozes daquelas pessoas que ser servem do facebook e/ou de outras redes sociais para se promoverem socialmente nem que seja só junto do vizinho? Fica a pergunta!
Acabei de ouvir, no telejornal de uma qualquer estação televisiva, que os portugueses cada vez trabalham mais. É um facto indiscutível. Mas trabalham para o seu próprio bem, enquanto pessoas com capacidade para se desenvolverem, ou para comprarem mais um ipad ou mais um telemóvel topo de gama ou para darem aos filhos um portátil que os compense das ausências? Obviamente que todos temos que trabalhar, seja porque dignifica a nossa vida, seja porque é o nosso sustento, ou seja mesmo por qualquer outra razão. Não importa o que move cada um para o trabalho. Gosto muito de trabalhar, mas com peso e medida pois há valores dos quais não me permito prescindir, como sejam os da família (sem ipads, sem televisões a invadirem as refeições ou os quartos ou mais quanta parafernália que por aí existe).
A meu ver, somos cada vez mais escravos do poder, do sistema (que é uma palavra que está muito na moda). Escravos da necessidade das pessoas fazerem pela vida? Que vida? Das carteiras e dos sapatos? Da vida socialmente aceite, sem discussões?
O Museu Militar do Porto, cuja visita desde já aconselho, possui a maior coleção de soldados de chumbo do país. São ao todo 16.000 soldados que representam exércitos inteiros de todas as partes do mundo e de várias épocas da história. Não somos 16.000. Somos incontáveis milhões. Milhões de soldadinhos vigiados, formatados, comandados por um Big Brother desconhecido mas infelizmente presente na nossa vidinha.
Somos escravos. Mas somos tão felizes na nossa escravatura que nem damos conta de que vivemos escravos mas com uma roupagem diferente daqueles que nos antecederam.

Um dos princípios do Reiki é: só por hoje, trabalharei honestamente.

Só por hoje, trabalhemos honestamente, só por hoje, tenhamos a CORAGEM de levantar o véu do medo, o véu que ensombra os nossos sonhos e as nossas capacidades de raciocínio e de crítica. Só por hoje, critiquemo-nos e tenhamos a CORAGEM de fazer mea culpa e de assumir a nossa responsabilidade pelo modo hediondo como somos levados a acreditar e a viver nesta cegueira estúpida.

Só por hoje, lutemos e levantemos a nossa voz. Se não for por nós, que seja ao menos pelas gerações vindouras.  Só por hoje!

Elisabete Pinho



terça-feira, 6 de março de 2018

Chico Xavier e os Animais - Artigo enviado p/ Marta Sobral



Chico Xavier e os animais:um testemunho amoroso, mas lúcido sobre a essência da dignidade dos animais, seu papel nas nossas vidas e nosso na deles. Em tempos em que se vive o paradoxo da convivência da crueldade e maus tratos dos animais, com a sua humanização/infantilização para satisfazer vazios emocionais humanos, a visão deste homem, influenciada pela doutrina espírita em que o seu pensamento se insere, é um contributo sereno, lúcido e compassivo para se perceber o papel dos animais nas vidas dos homens e a responsabilidade ética/espiritual que essa relação faz recair sobre a espécie humana. Esta, pela desconexão com a natureza que resulta da visão materialista da vida e da existência, esquece-se que também ela é parte do reino animal que tanto agride, sendo o único animal no Planeta que, fazendo mau uso do livre arbítrio e da consciência de que que foi dotada, escolheu matar por prazer, lúxuria,crueldade, diversão, pois todos os outros animais só matam para satisfazer necessidades básicas de alimentação e protecção. Muito se faria pela causa animal e humana se os cristãos, nas suas homilias semanais, ouvissem palavras como estas, tão cheias de compaixão e respeito pelo reino animal, e as tornassem acção para lá da porta da igreja, perpetuando o exemplo do Mestre do amor e respeito pela dignidade de todos os seres, que preferem continuar a lembrar apenas inerte numa cruz.

“Um amigo perguntou ao Chico qual o animal mais evoluído espiritualmente e dele anotou a resposta:

É o cão. O cão desperta muito amor e é modelo de fidelidade. As pessoas que amam e cultivam a convivência com os animais, especialmente os cães, se observarem com atenção, verificarão que os vários espécimes são portadores de qualidades que consideramos quase humanas, raiando pela prudência, paciência, disciplina, obediência, sensibilidade, inteligência, improvisação, espírito de serviço, vigilância e sede de carinho, infundindo-nos a idéia de que, quanto mais perto se encontram das criaturas humanas, mais se lhes assemelham, preparando-se para o estágio mais próximo da hierarquia espiritual.

Segundo o iluminado Espírito Emmanuel os animais são nossos parentes próximos, com sua linguagem, seus afetos e sua inteligência rudimentar.
Chico Xavier respondendo a uma pergunta sobre os animais, disse:
Nossos benfeitores espirituais nos esclarecem que é preciso que todos nós consideremos que os animais diversos, a nos rodearem a existência de seres humanos em evolução no planeta Terra, são nossos irmãos menores, desenvolvendo em si mesmos o próprio princípio inteligente.
Se nós, seres humanos já alcançamos os domínios da inteligência desenvolvendo agora as potências intuitivas, eles, os animais, estão aperfeiçoando paulatinamente seus instintos na busca da inteligência da mesma maneira que nós humanos aspiramos alcançar algum dia a angelitude na Vida Maior, personificada em nosso mestre o Senhor Jesus, eles, os animais aspiram ser num futuro distante homens e mulheres inteligentes e livres. Assim sendo, nós podemos nos considerar como irmãos mais velhos e mais experimentados dos animais.
Deus outorgou aos homens a condição e proteção de nossos irmãos mais novos, os animais.
E o que é que esta humanidade tem agido em relação aos animais nos inúmeros séculos de nossa história?
Porventura nós, os homens, não temos nos transformado em algozes dos animais ao invés de seus protetores fiéis?
Quem ignora que a vaca sofre imensamente a caminho do matadouro?
Quem duvida que minutos antes do golpe fatal os bovinos derramam lágrimas de angústia?
 Não temos treinado determinadas raças de cães exaustivamente para o morticínio e os ataques? Que dizermos das caçadas impiedosas de aves e animais silvestres unicamente por prazer esportivo? Que dizermos das devastações inconsequentes do meio ambiente?
Tudo isto se resume em graves responsabilidades para os seres humanos. A angústia, o medo e o ódio que provocamos nos animais lhes alteram o equilíbrio natural de seus princípios espirituais.

A responsabilidade maior recairá sempre nos desvios de nós mesmos, que não soubemos guiar os animais no caminho do Amor e do Progresso, seguindo a Verdade de Deus.
Marta Sobral




segunda-feira, 5 de março de 2018

Aos Cristãos...e não só...




Cristo, os Cristãos e os Animais







“Os cristãos, então, que fecham as suas mentes e corações para a causa do bem-estar animal e o mal que visa combater estão a ignorar o ensinamento espiritual fundamental do próprio Cristo. Eles também estão a recusar o papel no mundo para o qual Deus nos deu cérebro e moralidade - para sermos seus agentes no cuidar do mundo, no divino espírito de sabedoria e de amor. Como sabemos, os cristãos como os outros justificam o abandono da preocupação com o bem-estar animal com o facto de as necessidades humanas serem mais urgentes. Temos de insistir que o amor é indivisível. Não é "isto ou aquilo", é " isto e aquilo", porque uma sociedade que não consegue encontrar a energia moral para se preocupar com o sofrimento e a exploração animal fará pouco melhor em relação às necessidades humanas”.

- John Austin Baker (Bispo de Salisbúria), Sermão na Catedral de Salisbúria, 



Questões Culturais - Hábitos - Tradições = a Destruição de Vida



Como já vem sendo habitual, publicamos nestas páginas temas em formato de ciclos. E com a mesma paixão que falamos de amor, de amizade, de compaixão ou altruísmo, dedicamos esta semana ao ciclo da vida, ou melhor dizendo o risco de vida do nosso amado planeta, e consequentemente de nós próprios, dos nossos filhos e de tudo o que amamos!
A maioria de nós tem vindo a canalizar a sua indignação sobre o foro dos animais de forma incompleta e parcial, quando esta visa apenas os animais de estimação.
Para uma abrangente e justa preocupação humanitária, devemos ir mais fundo (e no fundo, todos o sabemos) ser esta uma batalha pessoal com, ou contra, todas as circunstâncias titulares deste texto, além do contra-fluxo daqueles com quem compartilhamos esses hábitos.
Impõe-se uma reflexão profunda, séria, sobre o "Vegetarianismo", alternativa à contagem decrescente para a destruição onde nos conduzem de forma acelerada os "hábitos" alimentares.
Fundarei esta reflexão sobre três premissas que creio abarcam a maioria das sensibilidades dos seres humanos pensantes.

- O vegetarianismo como opção ecológica
- O vegetarianismo como opção consciencial
- O vegetarianismo como opção de saúde

Sobre cada uma destas premissas enviaremos informação anexa que possa servir de incentivo à vossa própria busca de informação, mas principalmente de profunda reflexão sobre a hecatombe que acontece diariamente no mundo, causa e efeito da iminente destruição deste mesmo mundo.

Segue link informativo que recomendamos vivamente:



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sábado, 3 de março de 2018

Não retirem a carne às crianças!



Não retirem a carne às crianças! Deixem que sejam elas a abominarem a ingestão de carne!
Sempre que em grupo se fala de vegetarianismo levantam-se vozes que afirmam a sua incapacidade de modificarem os hábitos e os paladares dos demais membros de suas famílias.
Com todo respeito pela liberdade de escolha dos adultos, mas penso ser de premente reflexão, que opções damos às crianças? Qual o grau em que lesamos a sua saúde, o seu desenvolvimento psíquico e espiritual, e mais ainda um planeta desertificado, seu lar, em curto prazo.
Sabemos que cada criança é um mundo em si mesma, na sua personalidade manifesta, e também pelos hábitos, crenças, medos, conhecimentos, adquiridos na família.
Mas penso que uma coisa é comum a todas, a generosidade e a bondade são naturais, e com um total potencial de expansão.
Ensinem-nas a perceber os terríveis malefícios da carne e que sejam elas, e serão elas, a rejeitarem uma alimentação carnívora.
- Por motivos óbvios não podemos confrontar as crianças com os relatos e os vídeos da barbárie que é o sofrimento dos animais para consumo humano, mas podemos de forma apropriada a cada idade, explicar-lhes o que sentiríamos se fossemos nós os dominados por uma raça “superior” a nós e que nos usasse para seu alimento e de formas tão cruéis.
- Para que eles não desacreditem na raça a que pertencem não podemos mostrar-lhes as evidências da calamidade ecológica em curso devida à criação de gado. Mas podemos dizer-lhes que o homem, por ignorância, cometeu erros na sua evolução, erros tão graves que terão um elevado custo para as gerações futuras, para eles…nossos amados filhos e netos… Mas que eles não têm que cometer os mesmos erros, talvez haja ainda salvação…talvez…
- Podemos ainda explicar-lhes, por palavras simples, que muitíssimas das pessoas com quem eles lidam (talvez os próprios pais, os professores) sofrem de uma síndrome conhecida por “depressão”, que se instala no campo emocional das pessoas e que entre as várias causas que a provocam, é a destruição dos canais da sensibilidade provocada pela toxidade e a energia de terror e sofrimento dos animais, que vão impregnados na carne que eles consomem.
Amigos, muitas são as formas em que podemos reiniciar o culto pela vida dos seres sencientes - o respeito pela natureza - e o amor pela humanidade, pelo seu bem maior. 
Por favor despertem, o tempo urge.


Maria Adelina


sexta-feira, 2 de março de 2018

Porque é que não comes carne?




Há cerca de seis ou sete anos deixei de comer carne, tendo reduzido os alimentos de outra natureza animal praticamente ao peixe, pois por vezes é socialmente difícil optar por uma alimentação vegetariana. Mas apesar de as pessoas do meu círculo de amizades e familiar já se irem habituando a esta minha opção (às vezes é como Pessoa dizia da coca-cola: “primeiro estranha-se, depois entranha-se”) o certo é que continuo a ouvir aquela pergunta, emoldurada por um olhar de preocupação pela minha saúde e de espanto: mas porque é que não comes carne?
Para responder a esta pergunta dou normalmente três tipos de justificação: a questão ética, pelo respeito da dignidade animal, colocada numa dimensão mais filosófica ou espiritual; a questão de saúde, pois a carne que ingerimos está cheia de substâncias nocivas à saúde, como comprovam os valores incrivelmente mais baixos que passei a ter de colesterol, desde que a bani da minha alimentação, assim como o leite e seus derivados; a questão ambiental, pois a indústria agropecuária é das indústrias mais poluentes do planeta e a que mais contribui para a camada de ozono, com todas as consequências que estão à vista nas alterações de clima.
Mas podia reduzir todas estas explicações a uma, bem mais simples e poderosa: não consigo comer nada, que me faça lembrar um olhar. Quando era miúda sempre ouvi dizer que os olhos são o espelho da alma. Muito cedo diziam-me que no olhar de alguém se vislumbra o seu íntimo, intui-se o que lhe vai na alma. Até há aquela música que diz que “já vi o mar, no fim do olhar de uma mulher!”. Pois bem: e quanto ao olhar de um animal? Já olharam bem no fim dos seus olhos? O que veem? Uma coisa? Uma peça de carne, pronta a ser esquartejada de diversas formas, consoante o seu fim, ora seja para cozer, grelhar, estufar, etc…? Não. 
Quando olho nos olhos de um animal, e para isso treinei-me bem no olhar dos animais de estimação que me acompanham nesta vida, sinto uma alma, uma expressão do Criador, um Ser que exprime em cada pestanejar dor, afecto, alegria e gratidão como nenhum outro. Vejo-lhe a alma no fundo dos seus olhos e essa visão começou, certo dia, a ser insuportável no momento de olhar para uma peça de carne no prato. Esta é a razão mais simples e mais poderosa de ter deixado de comer carne e outros alimentos de origem animal.


 
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Marta Sobral