Bem-vindos a este espaço de partilha de todos para todos

quinta-feira, 30 de junho de 2016

O Caminho Longo




Dizia-me hoje uma amiga: 
Não podemos encerrar em nós o conhecimento e o Caminho (TAO).
O Caminho Longo (Roda de Samsara) é composto por sendas (vidas) semelhantes a rios onde vamos depositando sedimentos que nada mais são que as experiências que vivemos, o que recebemos, o que retribuímos, o que aprendemos, o bem que prodigamos, o amor que expressamos.
Os sedimentos vão fortalecendo o leito do rio, suavizando-o, nutrindo-o de um plâncton subtil onde se alimentem os que naveguem no mesmo rio, onde frutifiquem os amparadores terrenos que ladeiam e partilham a nossa jornada, margens do nosso rio…


A.




Porque andamos à procura de Cristo se o prendemos aos altares, se perdemos a faculdade de O reconhecer nos que connosco se cruzam?


A.

terça-feira, 28 de junho de 2016

A única verdade social...



“A psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações. As nações fazem exactamente o que cada um faz individualmente; e do modo como o indivíduo age a nação também agirá. Somente com a transformação da atitude do indivíduo é que começara a transformar-se a psicologia da nação”


Carl Gustav Jung 


domingo, 26 de junho de 2016



Os ciclos mais marcantes e enriquecedores da vida são mosaicos policromáticos onde pessoas fizeram grandes momentos. Os momentos não existiriam, seriam ocos, vazios, sem as pessoas. 
As pessoas são sencientes e sensíveis, os momentos não. A medida de um homem é feita de pedacinhos de pessoas, disseminados pelos momentos como respingos de tinta sobre o tecido da vida. Momentos não existem, apenas existem as pessoas que lhes deram vida.


A.



ELIS REGINA - VIEMOS FAZER O BEM NO MUNDO !

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Os Mimos





Os mimos tornam as crianças muito mais felizes e propensas  a serem adultos em equilíbrio
Os mimos são o mais poderoso anti - depressivo para gente de todas as idades
Os mimos (carinho, ternura) transmitidos de coração a coração são o elixir da felicidade
Os mimos, tal como o amor, é uma capacidade que pode, e deve, ser desenvolvida e apreciada

- Quiça depois? Um dia talvez? Quando estiver menos cansado? Quantos dias tereis? Quantas oportunidades não aproveitadas de fomentar  harmonia e paz...no outro, mas que nos eleva a nós

Hoje e sempre, salvaguardemos tempo e entrega para a prática do mimo, nos companheiros, nos amigos, nos filhos, em quem estiver próximo de nós, ou do nosso coração, mas também naqueles com quem apenas nos cruzamos, que o nosso olhar leve a bênção do mimo.
Mimemos em veracidade, sem saturação, possessão ou ciúme, cada mimo doado, faz de nós um Ser mais capacitado, para nos aproximar-mos daquele amor que a humanidade precisa, e ao Céu engrandece.


Mimem

A.


quinta-feira, 23 de junho de 2016

The Prophet.




O Ego e a Alma 

É verdade. Já tanto se falou sobre o ego e tanto ainda há para se falar. O ego é um sistema criado para a defesa da sobrevivência. Não se alterou muito desde a pré-história. A sua função é basicamente garantir alimentação, abrigo e reprodução. A função do ego é a de fazer -nos ir caçar javalis, arranjar um tecto e um cobertor, e garantir a perpetuação da espécie. E tem toda a liberdade de acção dentro da nossa mente, para que estas funções sejam asseguradas. Ele pode impor-nos raiva, revolta, vitimização, pode dar -nos argumentos lógicos - mesmo que nós saibamos que não são assim tão lógicos - para nos convencer que estas três funções são a prioridade da nossa vida. Comer, abrigar -se e reproduzir. Não necessariamente nesta ordem. E a coisa tem funcionado bem até agora.
A questão é que já não estamos na pré-história. A energia do ser humano está a evoluir. Está a subir de frequência vibratória. E quando uma pessoa eleva a sua frequência, começa a conseguir compreender a importância de outro tipo de coisas, tais como ser feliz, realizar os seus sonhos, cumprir a sua missão na Terra e elevar a sua energia, de modo a ter uma vida em Luz... cá em baixo. E todos estes conceitos tão subtis fazem parte de um outro universo. O universo da Alma. Então estamos perante um dilema cósmico. O ser humano já evoluiu tanto que já compreende as questões inerentes à Alma, mas ainda não sabe onde ela está nem como se manifesta.
A Alma é a nossa mais alta energia. Tem um universo próprio, que reside no nosso sistema energético. Raramente interage com o universo da matéria, mas quando autorizamos que tal aconteça dá-se o êxtase. O êxtase é um choque de universos, em que o corpo recebe uma descarga de Luz. Normalmente acontece em Meditação. Hoje posso garantir que cada um dos êxtases que tive nas minhas meditações ajudaram a elevar a minha frequência vibratória, acederam ao núcleo das minhas células e alteraram o meu ADN. Eu não sou a mesma pessoa que era. Não sou mesmo.
A nossa Alma quer amor, ela sabe que todos somos energia, que viemos todos do mesmo lugar. Como ouvi um dia e acredito, "somos poeira estelar". É que lá no mais íntimo de cada um de nós, sabemos que não somos separados, nem uns dos outros, nem da natureza, nem mesmo do resto do Universo. Sofremos quando outro ser humano sofre, arrepiamo-nos quando a Terra devolve com destruição todo o mal que lhe fazemos e somos capazes de parar tudo para ir salvar um gatinho preso nos escombros. Quem chora quando vemos homens a assassinar animais por puro prazer? É a nossa Alma.
Quem pede pelo fim das guerras e anseia que finalmente a paz se estabeleça? A nossa Alma. No pólo oposto, quem é que assassina animais por puro prazer? Quem faz as guerras? Quem rejeita a paz? O nosso ego. O ego considera que somos feitos de matéria, não de energia. Por isso ele considera o que vê. Homens separados de homens, da natureza do Universo. Então se somos separados, podemos matar, violar, agredir. Não nos toca. Só pode ganhar um. Uma das funções do ego é a de garantir a sobrevivência. Inclusive através da negação da dor. Se numa outra vida morremos afogados, por exemplo, qualquer aproximação ao mar faz tocar a campainha do perigo:
- "Vais morrer!"
- "Ir nadar? Nunca!"
e o ego envia sinais urgentes sob a forma de medo, ataques de pânico ou de ansiedade.
- "Se ali dói, não vamos para ali, porque dor é sinónimo de morte, e tu tens que sobreviver. Se ali dói, vamos para outro lugar."
De preferência, para o lugar oposto. E o ser aprende a fugir da dor. Vezes e vezes sem conta. E assim se criam os padrões. De tanto fugir da dor e de ir para o oposto desta, cria -se um padrão repetitivo de comportamento. Vai -se alimentando a tão conhecida caixinha de soluções - sempre as mesmas soluções - que o ego utiliza para resolver os problemas. E mesmo que essas velhas soluções não resolvam os problemas, o ego não verga.
- "Correste pouco!", diz.
- "Esforçaste -te pouco!"
e lá vamos nós correr mais um bocadinho na direcção pré-histórica que nos irá render, no melhor dos casos, mais um javali. Nunca, jamais, um êxtase.
Já Einstein dizia:
- "Demência é fazer sempre as mesmas coisas à espera de resultados diferentes."
Só depois de uma profunda compreensão do que é o ego e de como ele tenta boicotar as manifestações da nossa Alma é que estamos preparados para o começar a trabalhar. E só quando entendemos que o nosso sistema mental é dominado por este é que compreendemos porque é que a nossa cabeça não para. Porque é que não relaxa. Porque se parar, se relaxar, vamos aceder à nossa Alma, um portal proibido, um universo novo onde moram todos os sentimentos nobres que são dados a experienciar ao novo homem, mais evoluído.
Mas se nos abandonarmos a esses sentimentos nobres, podemos afastar-nos da tríade da sobrevivência: comida, tecto e reprodução. Como resolver?
Através de uma das grandes Leis Universais: Harmonização dos opostos.
Por isso é que a experiência na matéria é tão difícil. Por causa da harmonização. Não se trata de aniquilar o ego. Assim seria fácil. Era só fazer um voto, um compromisso de não utilizar mais o ego na minha vida. Pronto.
Mas não é isso que está a ser pedido. O ser humano deverá aprender a utilizar o seu ego sem se deixar dominar por ele. Deverá saber quando é que o ego é adequado e quando é que ele se deverá retirar e deixar a Alma manifestar -se. Porque enquanto o ego é o responsável pela nossa estada na Terra, a nossa Alma é a responsável pela nossa evolução, para que não tenhamos que encarnar sempre e sempre para aprender as mesmas lições. E a harmonização destes dois opostos é talvez uma das tarefas mais difíceis das experiências da matéria. Porque sempre que pender para um dos lados o resultado será catastrófico. Pelo contrário, se o homem conseguir harmonizar os dois, um grande caminho de Luz se abre e ele pode finalmente caminhar rumo à evolução.

Alexandra Solnado

in "Conexão - O que Jesus me ensinou" 


terça-feira, 21 de junho de 2016



O que nos salva é o olhar

Usamos os outros em função das nossas necessidades: verdadeiramente não os encontramos
JTM




Uma experiência que infelizmente se vai propagando é a de algumas consultas médicas em que o médico praticamente não olha para o paciente. Ele surge por detrás de uma secretária, diante de um computador, e nos 15 ou 20 minutos que dura o encontro ocupa-se sobretudo a preencher um relatório informático. As perguntas sucedem-se, mas o médico tem os olhos colados ao teclado. A técnica torna-se assim o factor principal e depressa se converte em sistema. A informação trazida pelo olhar sai menorizada: é como se, de repente, nos tornássemos descrentes em relação às suas possibilidades. A questão que, no entanto, fica é se podemos examinar (e nem falemos já de curar) aqueles que não chegamos a ver.
 Mas o empobrecimento que a aceleração traz ao olhar não acomete apenas o âmbito clínico: está por todo o lado. Recordo-me da preocupação e da ironia certeira com que Sophia de Mello Breyner Andresen o descreve em poemas do último livro que publicou em vida, “O Búzio de Cós”. Aí denuncia o activismo em que caímos, onde “o ouvido não ouve a flauta da penumbra”, onde “o pensamento nada sabe dos labirintos do tempo” e “o olhar toma nota e não vê”. Num poema particularmente incisivo, chamado ‘Turistas no Museu’, lamenta que se tenha perdido “o antigo cismar demorado da viagem” e comenta que as fotografias que obsessivamente tiramos são, no fundo, para nos desobrigarmos rapidamente uns dos outros e da realidade. E não assistiu ela ao triunfo das selfies!
Trocamos com demasiada facilidade a contemplação pela obsidiante acumulação de imagens, a perscrutação pelo saber prefabricado. Atropelamos a vida com esta espécie de atordoamento que nos cega. Em vez do encontro, a que só um olhar disponível e fundo nos faz aceder, esbarramos uns nos outros pensando extrair daí sentimento e sentido. E isso vê-se tanto nas coisas grandes como nas pequenas, naquelas onde as nervuras do quotidiano se estruturam. Na sua obra “Minima Moralia”, Adorno refere, por exemplo, o modo grosseiro como passámos a tratar as portas, desaprendendo como fechá-las de forma suave, cuidadosa e completa. Diz ele: “As dos automóveis e dos frigoríficos devem atirar-se; outras tendem a fechar-se por si mesmas, habituando assim os que entram à indelicadeza de não olharem para trás nem de se fixarem no interior da casa que os acolhe.”
 O olhar atento permitir-nos-ia, talvez, vencer o encadeamento trazido por duas forças que tiranizam a vida contemporânea: a indiferença e o consumo. Ambas actuam em direcções diferentes, mas depressa coincidem na desqualificação do olhar que dedicamos uns aos outros e ao mundo. A indiferença representa o alheamento total, como se não reconhecêssemos o valor ou o significado de uma determinada existência. Escolhemos passar ao lado e ignorar. Olhamos, mas não vemos nem queremos ver. O consumo (e também o há nas relações interpessoais, não apenas no que respeita aos bens) supõe, pelo contrário, a supressão de toda a distância. À sua maneira é também uma forma de ignorar o outro, mas agora pelo movimento invasor, pela devoração e pela posse. Usamos os outros em função das nossas necessidades: verdadeiramente não os encontramos. Por isso, é tão importante reconhecer que só a atenção dota o olhar de uma significação ética. Só somos justos com aqueles que miramos demoradamente, num exercício que coloca a hospitalidade como condição do conhecimento. Ou mesmo como condição do resgate. Não é por acaso que Simone Weil, que ao tema dedicou uma agudíssima reflexão, escreveu que “o que nos salva é o olhar”.


José Tolentino Mendonça

domingo, 19 de junho de 2016





Que serventia teve a nossa vida?





A preocupação maior das pessoas é o acessório.
Fiz recentemente duas visitas guiadas a dois cemitérios da cidade do Porto: Lapa e Prado do Repouso. A quem ainda não fez este tipo de visita aconselho vivamente que o faça porque enriquece-nos culturalmente e obriga-nos a colocar muitas questões a nós próprios.
Os cemitérios, locais de culto da morte, eram e, infelizmente continuam a ser, uma feira de vaidades, locais de passeio e de coscuvilhice.
Um local vocacionado para a perpetuação da memória dos que estão no outro lado da fronteira não deve ser jamais uma montra de vaidades. As memórias e a saudade dos que iniciaram a viagem ficam em nós, no nosso coração, pelo que não necessitam de ser exibidas publicamente.
Não obstante o que acabei de escrever, até acho os cemitérios locais bonitos pela sua amplitude e dimensão e muitos deles até convidam à serenidade e à meditação (principalmente aqueles que têm bancos à sombra de alguma pequena árvore).
O que é que as pessoas fazem de útil na vida e para a vida?
A utilidade da vida resume-se a uma lápide no cemitério? Ao dinheiro ganho durante a vida?
Que serventia teve a nossa vida?
Que serviço prestamos aos outros?
O que fizemos nós durante esta vida que não fosse pensar na morte e na estátua que nos perpetuará quando passarmos a fronteira?
Que os cemitérios sejam lugares de interrogação e não apenas de decomposição; que sirvam também para nos lembrarem o significado da palavra "SERVIR" para quando nos transcendermos o façamos com o sentimento de que, pelo menos, servimos para além de usufruirmos.



Elisabete Pinho



sábado, 18 de junho de 2016




O perdão não nos pede que concordemos com nada, que nos desculpemos ou que toleremos comportamentos menos bons. Na realidade, o perdão dá-nos impulso para irmos além de comportamentos, aprendermos as lições e extrairmos sabedoria dessas experiências.
Perdoar os outros não significa que nos tornaremos fracos, ingénuos ou alvos fáceis dos predadores deste mundo. Não significa que não tomaremos providências para nos proteger de maneiras saudáveis ou para impor limites bem claros. Ao contrário, o perdão nos faz abandonar o papel de vítimas e tomar posse do nosso poder, para ver as situações e circunstâncias claramente e tomar as providências necessárias para garantir que não cometamos os mesmos erros outra vez.
A voz do perdão diz: ‘É hora de seguir em frente’, ‘Eu aceito o passado’ e ‘Essa experiência me ajudou a me tornar uma pessoa mais sábia e cheia de compaixão’. O perdão nos estimula a deixar de lado a necessidade que sentimos de que o passado seja diferente do que foi. Ao mesmo tempo ele nos convida a abrir mão das mágoas que temos de nós mesmos e do mundo, para que não sejamos mais prisioneiros da força gravitacional que nos puxa para o passado.
O perdão aos outros é uma prova de que nos amamos o suficiente para sermos capazes de dizer adeus, de seguir em frente e deixar o passado para trás. Quando reunimos coragem para cortar as amarras que nos ligam negativamente aos outros,  passamos a ver que somos tão grandes quanto os nossos ressentimentos e mais poderosos que as nossas mágoas.
Recebemos muitas dádivas quando optamos pelo acto corajoso e ousado do perdão. Acima de tudo, somos livres.

 Debbie Ford


terça-feira, 14 de junho de 2016


NÃO


Resultado de imagem para dizer não





Dizer Não





Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.
Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.
Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de «elitismo», mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.
Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.
Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.
Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela.
Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.
Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenamo-nos em gado sob o comando de um pastor.
Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.
Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.

E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.


Vergílio Ferreira




Dizer NÃO à formatação. (legendado)

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Vida Simbólica - Carl Jung



O homem necessita de uma vida simbólica... Mas não temos vida simbólica.
Acaso vocês dispõem de um canto em algum lugar de suas casas onde realizam ritos, como acontece na Índia? Mesmo as casas mais simples daquele país têm pelo menos um canto fechado por uma cortina no qual os membros da família podem viver a vida simbólica, podem fazer seus novos votos ou meditar.
Nós não temos isso. Não temos tempo, nem lugar.
Só a vida simbólica pode exprimir a necessidade do espírito - a necessidade diária do espírito, não se esqueçam!
E como não dispõem disso, as pessoas jamais podem libertar-se desse moinho - dessa vida angustiante, esmagadora e banal em que as pessoas são "nada senão".



Carl Jung


domingo, 12 de junho de 2016

Retalhos da Vida…para nos fazer sorrir





Retalhos da Vida…para nos fazer sorrir











O exemplo mais concreto pelo qual se pode entender o sábio conceito da Impermanência, é o das nossas próprias paixões.
Sejam coisas, profissões, locais, pessoas...com as pessoas o exemplo é mais nítido, mais definido, ainda que possa ser aplicado a qualquer vertente da vida.

Abrindo uma janela no tempo, assistimos à procissão daquilo ou daqueles que incendiaram o nosso coração e somos submersos por uma caterva de dúvidas, e quem sabe, se pela primeira vez, percebemos o eco repetitivo de conteúdos iguais, em contentores diferentes

O assistente na janela  (o Self)  é o observador, incólume, aconchegado no calor sereno que a alma emana. Olha com afinco, e torna a olhar…mas não vê o que algures na escala do tempo o atraiu…tenta lembrar… seria o olhar, a timidez, a confiança, os saberes, o cheiro, o toque, a voz, o riso, a ternura, a paciência, a gentileza, a bondade, a entrega, a lealdade, a doçura? Onde estão? Mas persistente, põe-se em bicos de pés, repreende o olhar (não se arme este em exigente) e volta a perscrutar. E o que vê, mormente, é um todo comum, desconcertante, nas sombras diluídas dos seus amores, santos e heróis…
A isto se chama crescimento, maturidade, o proveito do Caminho. E este será sempre positivo se percebermos que o que nos atrai no outro é apenas um reflexo nosso… que os dons que reconhecemos noutros, são a sombra dos nossos… que as graças que sentimos são as que algures no tempo proporcionamos e que em espelhos de diferentes tonalidades pudemos expandir os presentes que as fadas nos deram ao nascer – nossa herança, celeiro, farol cintilante que ilumina o nosso retorno ao Lar. Assim como as culturas da terra têm época, assim espalhamos sementes em ciclos temporais que germinarão, mais viçosas e fortes, no terreno que viemos cultivar, que mais não é que o nosso próprio coração!
Trabalhemos sem reserva – Entreguemos sem medida –
Amemos em pureza e confiança


Os retalhos da vida são como os buracos negros que pululam no cosmos, aparentemente vazios, no entanto repletos de tudo aquilo que precisamos para compor a obra da estrutura psicoafectiva que viemos experimentar.
Não há ganhos ou perdas, apenas patamares de compreensão amorosamente aprimorados pela lei da evolução.


Maria Adelina 





quinta-feira, 9 de junho de 2016





" Mestre, a Lua clara e tranquila brilha tão alto no céu!

- Sim, ela está muito longe!

- Mestre, ajuda-me a elevar-me até ela.

- Porquê? Não vem ela até ti? "




Grata,  J.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Hoje na cerimónia fúnebre de um jovem ( paz à sua alma) ouvi estas duas leituras que partilho:



"Vida longa não significa nada
O justo, porém, ainda que morra prematuramente, encontrará descanso.
A velhice venerável não é a de uma longa duração e nem se mede pelo número de anos; O bom senso equivale aos cabelos brancos, uma vida sem mancha, à idade avançada.
Agradando a Deus, o justo é amado por ele; vivendo entre pecadores, Deus o transferiu para outro lugar.
Foi arrebatado para que a malícia não lhe pervertesse a inteligência, nem o engano seduzisse sua alma.
Pois o fascínio da frivolidade obscurece os valores verdadeiros, e a inconstância das paixões transtorna a mente sem malícia.
Tendo alcançado em pouco tempo a perfeição, completou uma longa carreira
Sua alma era agradável ao Senhor, que por isso apressou-se em tirá-lo do meio da maldade. As pessoas vêem isso e não compreendem, e não reflectem, em seu coração,
Que a graça e a misericórdia são para os eleitos do Senhor, e que ele intervém em favor dos seus santos.
Mas o justo, morto, condena os ímpios vivos; e a juventude, cedo terminada, a prolongada velhice do injusto.
Eles verão o fim do sábio e não compreenderão o desígnio de Deus sobre ele, nem por que o Senhor o pôs em segurança"


Livro da Sabedoria - Bíblia


terça-feira, 7 de junho de 2016

Quando pensas, és tu que pensas?







Outros Estados de Consciência, causas e efeitos de graves desarmonias entre elas a depressão









O Caminho para a transformação da Consciência Social, é, em prioridade, o da evolução da Consciência Espiritual.
Alem dos EAC – estados alterados de consciência, como sejam, entre outros, o estado de incorporação semi-consciente ou inconsciente ou a canalização nas suas variadas vertentes, vamos debruçar-nos sobre outros estados de consciência.
Os EMC – estados modificados de consciência, diferem dos anteriores na medida em que são normalmente provocados por estímulos exteriores, o que pressupõe uma escolha individual.
Entre estes, podemos separar nitidamente os que podem levar a patamares de ascensão, e os que promovem estados autodestrutivos. 
Estes últimos, arrastam pesadas e graves consequências para o sistema físico e cármico.
Nesta categoria, temos a intoxicação pelo álcool, pelos fármacos, pelas drogas, pelo tabaco.
Estes agentes intoxicantes, alem de provocarem a habituação e a dilaceração do corpo etérico, acabam por causar danos graves no corpo físico.
Os EMC desta categoria promovem também, alterações do veículo emocional e da personalidade, acrescidos que são, e de forma negativa, pela energia deletéria de entidades astrais sintonizadas com a adição a estas substâncias.
Sabemos, que pelo tipo de vibração emitida, atraímos, sempre e continuamente, energias afins. 
Estas por sua vez têm a capacidade de estimularem no usuário, quer a adição, quer as facetas de personalidade que a intoxicação exacerba, como por exemplo o entorpecimento mental, a ira, o desenraizamento do seu meio ambiente, além do agravamento de patologias de foro psíquico que possam existir.
Mas assinalemos agora algumas práticas, que devidamente assimiladas, podem elevar a consciência a um estado de libertação dos padrões ditos normais, promovendo uma expansão, além dos limites da consciência vigilante. 
Nesta categoria podemos considerar : 
A Meditação – O Yôga – O Budo – Terapias Energéticas - A Música – O Canto
Estas, entre outras práticas, conduzem de forma natural e gradual, a uma maior lucidez, focalização, a uma via de transcendência para uma consciência ampliada.
Estes estados, visam e proporcionam o auto-conhecimento, e a interacção harmoniosa do Eu com o Todo.
Nestes processos, além do fenómeno cognitivo, acontecem também alterações do humor, emocionais, e até de personalidade, que pela qualificação vibracional, elevam as pessoas ao patamar do transpessoal.
O Estado Transpessoal, é a obtenção gradual da transformação completa do Ser. 
É o deixar para trás o individualismo egóico, pela assunção da unicidade plena, onde até o perdão já não fará sentido, pois ninguém fere, ou será ferido, onde o altruísmo real, será a base da consciência da nova humanidade.


Maria Adelina de Jesus Lopes




Ad extra

Resultado de imagem para maos




"Somente quando a nossa actividade procede da base na qual consentimos dissolver-nos ela tem a fertilidade divina de amor e graça. Só então ela atinge realmente os outros em verdadeira comunhão. Muitas vezes nossa necessidade dos outros não é absolutamente amor, mas apenas a necessidade de sermos sustentados em nossas ilusões, assim como sustentamos as dos outros. Mas, quando renunciamos a essas ilusões, então podemos ir ao encontro dos outros com verdadeira compaixão. É na solidão que as ilusões finalmente se dissolvem."


Thomas Merton


Caminhar no rumo da verdade



Lamentavelmente, em geral, as ilusões são mais sedutoras que a libertadora capacidade de desfazê-las.
Nunca fui procurado por alguém se sentindo feliz por se ter “desiludido” em relação a qualquer coisa.
Ao contrário, eles chegam invariavelmente amargurados por terem descoberto que o fulano, ou a ideologia, ou o contrato, ou o antigo credo, ou o sócio… haviam traído sua boa-fé. Tais pessoas se espantam quando sugiro que festejem a “desilusão”.
Por que, quando por exemplo, morre um ser amado, o normal é o desespero e a depressão?
Só pode ser porque o ser amado, que era mortal, imprudentemente era visto como imortal. Pelo mesmo auto-engodo, entra em parafuso o indivíduo sem discernimento que confia na perenidade de suas tão idolatradas propriedades.
Por que tantos matam e se matam à caça de dinheiro? Porque se iludem, vendo o dinheiro como o fim maior de suas vidas, quando não é. O dinheiro não passa de um meio.
Enquanto a ilusão nos retém num ponto qualquer do caminho, a “desilusão” vem desencalhar, e só desencalhados conseguimos avançar. Então, por que lamentar? Não é melhor festejar o desencalhe?
Se nos deixamos iludir, o que nos resta é procurar identificar por que e como aconteceu.
Nada a lamentar.
Nada de amaldiçoar aquele que não correspondeu à nossa confiança.
E está na hora de reafirmar que perdoar é fantasticamente bom.
Às vezes, o que chamamos traição acontece porque estivemos, lamentavelmente, esperando colher flores de uma planta brava que só tinha espinhos para dar.
A culpa é da planta ou nossa? Temos sempre o que aprender da experiência desagradável.
E sempre temos de festejar a “desilusão”.
Isso nos ajuda a continuar caminhando no rumo da Verdade que liberta.


Hermógenes



Telepatia


Resultado de imagem para spiritus site


   Falando de telepatia, ela deriva da evolução espiritual no caminho do aperfeiçoamento. Esta força e forma de comunicação depende da clareza mental e esta é o resultado do progresso espiritual ao nível da Consciência em vidas sucessivas. Se as pessoas não desenvolvem a telepatia é porque desconhecem que a transmissão (telepática) envolve centros especiais do cérebro, onde se processam mecanismos mentais-cerebrais e, que portanto, não passam pelo processo de audição. Assim, telepatia não é ouvir ou “receber mensagens” é captar pensamentos e, o que qualifica a transmissão é a pureza da energia psíquica e o domínio mental.

Para haver comunicação com os planos superiores (é deste caso que estou a falar) é fundamental haver uma comunhão interna entre as partes, sendo assim exigido ao ser humano, todo um trabalho de purificação das próprias energias para que, então, haja maior certeza e clareza do pensamento, tanto o enviado como o recebido. Deve haver determinada união de consciências entre o emissor e o receptor ou mundo visível e invisível. Entre duas pessoas também é possível, desde que haja treino e comunhão interna.

Convém precisar que não se trata de “canalizações” pois estas estão confinadas a uma forma mediúnica e reduz-se apenas aos planos astrais, onde o médium é manipulado por forças fora do seu controlo. A telepatia - que não se confunda, então, com mediunidade - acontece nos planos mentais superiores e quem tem esta capacidade, controla e dirige a sua própria força vital e mental, inteligentemente.

A maioria das pessoas não acredita nesta possibilidade de comunicação, principalmente com os mundos superiores invisíveis. Duvidam, porque têm dificuldade em alinhar a sua consciência com dimensões de outros planos de consciência e, mesmo que já tenham alcançado tal possibilidade, não têm conhecimento suficiente para admitir e acreditar que o possam fazer.
Mas, o que restaria ao ser humano se ficasse reduzido ao nível inferior da consciência não comunicando com as Consciências Superiores? Ao perder a comunhão (comunicação) com as dimensões superiores afasta-se da compreensão sobre o aperfeiçoamento e desliza num mundo desnecessário e perigoso.

Assim, esta forma de comunicar é possível e passa por um processo mental e labor interno, pois só uma mente apaziguada, consegue reunir força mental para o envio do pensamento. A telepatia acontece pelo domínio da mente e pelo refinar do pensamento; uma mente pura e um coração vibrante conduzem ao encontro da comunicação com os planos de dimensões superiores de Consciência.
     
Maria Ferreira da Silva

Spiritus Site


sábado, 4 de junho de 2016

Um gorila chamado Harambe







Como sempre que estas notícias ocupam as parangonas dos diários noticiosos tornam-se fonte de pesar, não só pelo gorila mas principalmente por esta humanidade repetente, e repetente, e repetente… Casualmente ouvi de um comentarista daqueles que ganham a vida embrutecendo ainda mais as massas não pensantes o seguinte, e passo a citar: “ Então não haviam de matar o gorila para defender uma criança indefesa?”
Sr. Comentarista, como penso que sabe (e se não souber é bem mais grave a sua ignorância) a questão em causa não é o conteúdo da sua pergunta…Eu, e penso que a maioria das pessoas num acidente destes, abateriam um gorila para salvar uma criança se esta estivesse em perigo porque é instintivo, é natural, é o que teria que ser feito.
A questão verdadeira que aflora nestas tragédias é:
- Porque não se enclausuram “humanos” que torturam animais indefesos das mais diversas formas e elevado grau de requinte e crueldade (alguns com direito a cobertura televisiva paga pelos contribuintes)
- Porque continuam a existir campos (é uma hipocrisia chamar-lhes jardins) de confinamento zoológico, onde os animais são aprisionados a vida inteira em ínfimas condições de vida, apenas para desfrute dos humanos
- Porque continuam a existir “desportos” cujo teor é a caça, a tortura e a morte de animais
- Porque continuam a existir industrias como a da moda por exemplo que sacrifica animais (mais uma vez com requintada tortura) para alguns “humanos” se vestirem desse sofrimento
E por último…Porque continuam a existir comentaristas cuja única função é ludibriar o essencial, desviar o foco de atenção desta humanidade que não pode continuar a ser repetente… já basta!

Maria Adelina

“Chegará o tempo em que o homem conhecerá o íntimo de um animal e nesse dia todo crime contra um animal será um crime contra a humanidade”

Leonardo da Vinci