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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Esmagadora, tristemente comovente, verídica, um grito de alerta (mais um) esta crónica de António Lobo Antunes


Temos consciência do exemplo que estamos a dar às crianças, às nossas e às outras?, temos consciência do que estamos a construir, dos Seres que estamos a educar? E uma vez mais, não é a "sociedade" a culpada, somos cada um de nós com o que fazemos a cada segundo, onde quer que estejamos...
A.

Crónica de António Lobo Antunes

Somos um enorme convento de carmelitas autistas .. vi sete pessoas sete à espera na paragem do autocarro, todas de olhos baixos, a picarem o seu quadradinho de plástico com o indicador, alheadas do universo. Não somos um país, somos um enorme convento de carmelitas autistas em silenciosa comunicação com o seu écranzinho que os põe em contacto com um estranho universo inexistente, cheio de palavras e imagens irreais.
Os humanos já não falam: dialogam em silêncio com o nada, isto é com o que pensam ser os outros e o mundo, trocando banalidades arrasadoras com criaturas e acontecimentos tão fantasmáticos quanto elas. Não se relacionam entre si: relacionam-se com silhuetas vazias, interessam-se por acontecimentos ocos, os afectos transformam-se em siglas, a ternura em beijos sem carne, meia dúzia de consoantes e de k estratégicos substituem os sentimentos e as emoções. Os corpos transformam-se em silhuetas, a partilha em frases feitas, o amor no supermercado do face book onde as pessoas se apaixonam por criaturas irreais, ou seja fotografias minúsculas e ideias sem carne, encharcando os iphones de lugares comuns patetas nos quais se sente o enorme peso de uma solidão irremediável. Tenho muito dó desses infelizes fantasmas procurando desesperadamente outros infelizes fantasmas na esperança de uma relação fantasmática que, ao fim e ao cabo, não é possível porque não se pode amar uma ausência sem espessura de gente. O poeta Fernando Pessoa, por exemplo, parece-me não uma criatura mas um nada falante. Não é ao artista que me refiro agora, é ao homem que tentava existir através da bebida na esperança de obter, por intermédio de um substituto do leite materno, a densidade carnal que não tinha e, portanto, os seus escritos não respiram. Fingem que respiram, num sofrimento imenso. As criaturas dos iphones não pensam, não lhes interessa pensar, interessa-lhes existir no vazio, relacionando-se com vazios tão brancos quanto os deles, procurando desesperadamente bjs sem substância. Conversam com ninguéns em diálogos de uma pobreza afectiva absoluta que é o único anteparo de que são capazes para tentarem lutar contra a depressão, porque ao princípio não era o Verbo, era a Depressão, e as nossas almas tão sozinhas, tão pobres. O que queremos de facto, o que esperamos ainda é encontrar um modo de nos acharmos menos desamparados, menos indefesos, menos perdidos, e esperamos, como crianças que esqueceram o caminho para casa, que um bj nos aponte o caminho. E não aponta porque nenhum bj se transforma em beijo, é uma metamorfose impossível. Toma o meu bj, dá-me o teu bj em troca. E ficamos cada um com o bj do outro na palma a pensar

– O que faço eu com isto?

enquanto as duas letras se dissolvem ou se evaporam num écranzinho que não responde. Na fila dos automóveis de regresso a casa ao fim do dia vemos as pessoas sentadas no carro, olhando fixamente em frente, imóveis e sérias. Se repararmos nos olhos delas estão todas mortas atrás dos olhos. Não faz mal: o iphone está aqui no bolso; em chegando a casa ligo-o e encontro outros desgraçados, tão defuntos quanto eu, à espera de um colo que não existe. Há uma ausência apenas e lá ao fundo, na cozinha, uma torneira que não veda bem a pingar no lava-loiças o ritmo angustiado do nosso desespero. Talvez um bj ajude um bocadinho a torná-lo suportável: é que somos tão pobres que nos contentamos com uma côdeazita de nada. E amanhã encontraremos na fronha algumas migalhas que sobraram. Se as metermos na boca têm um gosto a lágrimas.


ANTÓNIO LOBO ANTUNES


Fonte: http://dobercoateaotumulo.blogspot.com/

- O estado da Nação - Não, não são "eles" que têm culpa...somos todos, porque o permitimos!


terça-feira, 26 de junho de 2018

Reflexão





“Queixamo-nos com razão dos mercados, da ganância das corporações, dos bancos e do capitalismo. Mas com muito maior razão nos queixaríamos de termos necessidades mínimas e vivermos com desejos máximos. É isso que cria, alimenta e reproduz os mercados, as corporações, os bancos e o capitalismo. São eles que a exploram, por via do marketing e da publicidade, mas a ganância é nossa. Vivamos com o mínimo: seremos livres e este sistema ruirá, incluindo a política que o serve. Vivamos com o mínimo, sobretudo com o mínimo de ego, se possível sem nenhum, e descobriremos a Plenitude que desde sempre nos habita.”

Paulo Borges

Co_fundador da União Budista Portuguesa
Professor Universitário
Escritor / Ensaísta



quarta-feira, 20 de junho de 2018

Sobre a decência humana


Sobre a decência humana

Hoje às 00:00

O muro entre o México e os EUA existe e assume a forma de jaulas para cerca de 2000 crianças. Campos de concentração para crianças que aguardam sozinhas desde Maio, aparentemente entre os 4 e 10 anos, propositadamente separadas dos pais por terrorismo de Estado. E não sabíamos. Ou então não fomos suficientemente alertados pelos avisos semelhantes que todos os dias se colariam aos nossos olhos se realmente quiséssemos ver. Mas o prazo da revolta passa-nos em vertigem até uma tragédia maior que suceda. Temos uma data limite para a indignação e está visto que não abdicamos dela.
As imagens são dantescas e sem ponta de sangue. Não é guerra, pode ser igual ou pior. Não há sangue, só uma violência sem limites. E lágrimas, cobertores térmicos no chão, pedidos de clemência e pranto pela presença dos pais, jaulas iluminadas 24-horas-dia não vá o diabo das crianças tecê-las. Nenhuma informação sobre o paradeiro das famílias, crianças abandonadas ao abuso, à tortura da solidão, perdidas, traumatizadas. Nos EUA, os democratas denunciam. O senador John McCain, considera esta política uma afronta à decência do povo americano mas nem ele nem nenhum dos seus colegas republicanos defendem o projecto de lei de Dianne Feinstein que poderia pôr fim a este crime. Bandidos de Senado.
Para nós europeus, bastaria olhar para o que se passa em Itália, na Hungria ou em Malta para exigirmos uma outra Europa. Para nós europeus, bastaria olhar para os milhares de crianças enjauladas e separadas dos pais pela política-Trump de "tolerância zero" com os imigrantes ilegais para lhe respondermos com total intolerância e intransigência. Mas não. Esta é a Europa que temos, tímida perante um facínora que a democracia decadente elegeu e tímida perante os seus próprios violadores. Enquanto ainda há muito boa gente regalada a olhar para as fotografias de dois bonecos a celebrar um acordo sem conteúdo e com mosquitos entre cordas em Singapura, Trump passa todos os limites e chantageia com a saída dos EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Sim, ele pode. Porque nós deixamos.
É, por vezes, o que nos separa da decência. Façamos de conta que nada acontece e, daqui a nada, está ali em Olivença, terra de ninguém. Na nossa porta e ao nosso alcance. Anuncia-se uma visita de Marcelo Rebelo de Sousa à Casa Branca no final deste mês e o seu cancelamento, até à resolução destes campos de concentração para crianças migrantes, seria o exigível sinal de afecto do nosso presidente. Isso se existisse Europa. Isso.
A sensação que tenho é a de que estamos a ver passar um funeral.

Miguel Guedes

MÉDICO E ADVOGADO 








segunda-feira, 18 de junho de 2018

Fluidos e Miasmas Deletérios


Fluidos e Miasmas Deletérios

Os fluidos energéticos em si são neutros. Os tipos de pensamentos e sentimentos do espírito é que lhes imprime determinadas características.
Sendo assim a pureza ou impureza dos sentimentos do emissor dos fluidos é que determinará a qualidades boa ou má dos fluidos, através da vibração.
Os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável. Lembrando que bom e mau dependem do uso do pensamento/sentimento.
É com o pensamento e a vontade que o espírito age sobre os fluidos. Ele dirige-os, aglomera, dá-lhes forma, aparência, cor e pode até mudar as suas propriedades. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual.
A acção sobre os fluidos pode até ser inconsciente, porque basta pensar e sentir algo para causar efeitos sobre eles. Mas também pode o espírito agir conscientemente sobre os fluidos, sabendo o que realiza e como se processa o fenómeno. Algumas vezes, essas transformações resultam de uma intenção; em outras, são produto de um pensamento inconsciente.
Um miasma (astral)  é a emanação de uma vibração negativa, que causa sensação de ansiedade, opressora, e mal-estar. Imoralidade, falta de ética, desarmonia do estado mental, são as condições habituais para a instalação dos miasmas. Estes na sua larga maioria são criados e sustentados pelo seu próprio hospedeiro por via dos seus comportamentos e em percentagem menor por contágio de outras consciências, encarnadas ou desencarnadas.
O miasma deletério, é  energia poluída de efeito realmente destrutivo, que danifica, que nos é prejudicial, que interfere na saúde, que desmoraliza, perverte e corrompe o nosso ambiente e a todos que nele se encontram.
O miasma deletério afecta a nossa psicoesfera, por via de emanações electromagnéticas que alteram o nosso padrão psíquico, nosso estado emocional e o estado físico do momento.
Pelo teor deletério dos miasmas a energia que nos rodeia será contaminada (negativa) cujos fluídos acentuarão as emissões dos pensamentos e emoções fazendo com que essa irradiação nos atinja, aos outros, ao ambiente, e nos envolva dentro de uma atmosfera fluídica negativa.
As medidas a tomar são aquelas que todos conhecemos, postura correcta e correcto pensamento, ética abrangente. Estes comportamentos atraem por empatia vibratória os Seres Luminosos e Benfeitores Espirituais que nos rodeiam, e que estendem uma rede de protecção energética sobre nós e o nosso ambiente. Essa mesma protecção amortece as causas (formas pensamento) da existência dos miasmas acumulados que nos habitam, até à sua dissolução.
Mas nunca devemos esquecer que tão pronto haja descuido na nossa higiene energética o ciclo recomeça cada vez mais agravado pela fragilidade que o tempo e as causas vão deixando em nós. Entre as causas que na sociedade actual mais danos provocam são a concupiscência (sexo casual, voyeurismo social mórbido, narcisismo absoluto, devassidão, vampirismo energético) etc….
Curiosamente, ou não, além das fontes de contaminação comuns, as condições atrás descritas estão contidas no “modus operandi” generalizado e até considerado  “in“ que é a gravíssima adição às redes sociais e de grande parte da  programação televisiva.