Bem-vindos a este espaço de partilha de todos para todos

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Quando um homem quiser – Ary dos Santos

(Grata E. por me lembrar este  poema tão especial do Ary. Nesta quadra que prima pela alienação, que a lucidez se erga em acção! Mais terrível que a habituação à realidade que nos rodeia, é o fazer de conta que ela não existe)


Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher



José Carlos Ary dos Santos


Conto de Natal – Jorge Fernandes






Conto de Natal – Jorge Fernandes






Hoje levantei-me mais tarde.
Não fiz a barba; saudei o Sol e agradeci aos meus órgãos internos por manterem este corpo vivo.
Bebi um chá e saí com o meu cocker. Fomos passear num local longe do trânsito. Guiei-o pela trela porque ele não vê, e ambos formos absorvendo o Tao; como ele se manifesta em múltiplos sons.
Ouvi a água a correr, o assobiar do vento nas folhas das árvores. Ao longe o ladrar de um cão misturado com o cacarejar das galinhas, mais perto de nós uma melodiosa canção dos passarinhos.
Vi no céu azul o desenho que as pombas combinaram num circulo perfeito. Um rebanho de ovelhas manifestava-se em desafio num prado verde.
Neste espaço harmonioso corriam de vez em quando alguns atletas sem fazer qualquer estrago.
Escutei demoradamente esta orquestra da natureza, grato por também meus pensamentos participarem da música. Surgiu então um som moderno - sem vida própria, uma mensagem do telemóvel que lembrava que o natal é quando um homem quiser. Verdade, pensei eu! Para os outros seres é todos os dias, disse-me o Putchi calado.

De regresso à agitação normal do Natal, trouxe no ouvido a voz rouca de Joe Cocker a dizer que continua vivo.



Jorge Fernandes



Ninhos




Maria, publico um trecho da sua mensagem porque ela encerra (especialmente o último parágrafo) um dos maiores propósitos do meu caminho nestes já largos anos… A gratidão é minha. 

Adelina




….há caminhos que se entrelaçam como as madeixas que desenham uma trança.
há caminhos que se cruzam obedecendo a uma coreografia como a das marcas deixadas pelas lâminas da patinagem no gelo.
há caminhos que se cruzam em emaranhados de algodão doce.
há caminhos que se cruzam de forma delicada e resistente e criam impressionantes rendas de bilros.
eu gosto de rendas de bilros.
os melhores ninhos são construídos com rendas de bilros.
as melhores rendas de bilros são as que nos mostram que a estrada pode ter muitas cores.
e os melhores ninhos são os que nos dão a segurança de não precisarmos da magia de terceiros, a consciência de que o segredo para voltar ao ninho está nos nossos próprios pés…

Maria José Duarte (sobre o Encontro de Reiki de 22 de Novembro)






A Vinda do Cristo




A Energia Crística em nós, é o veículo da vinda do Mestre









Obra de Nicholas Roerich

Natal de Quem? João Coelho dos Santos

Natal de Quem? 

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!!


















João Coelho dos Santos


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Oferto o ofertado à Mestra Maria de Magdala



           

   Mestra







Um dia, o seu apelo cativou-me
E, embora receoso e desconfiado, respondi.
Apresentou-se de branco brilhando,
Presenteou-nos com presentes no dia
Em que os presentes para ela deveriam ser.
Sabiamente conquistou-nos num rápido espaço de intimidade
Que nos arrancou à preguiçosa tranquilidade
De um conforto feito de lugares comuns e dogmáticos.
Nela reconheci a mestra de outra escola num tempo
Já há muito vivido e saudosamente recordado.
Falou-me então do poder das mãos, da sua energia,
Ensinou-me que nada podemos fazer com os outros
Enquanto não resolvermos o que devemos fazer connosco.
Ensinou-me que somos seres especiais,
Apesar de nos imporem os fantasmas de uma vida
Formatada em nome de regras e normas às quais
Jamais soube responder para além de
Um silêncio arrogante e indiferente.
Mostrou-nos a magia e sabedoria de um cosmos
Atento e preocupado com estes seres especiais
E a sua infinita disponibilidade para retribuir
Todo o amor que possamos deixar em favor de outros.
Mostrou-me os nossos conflitos interiores,
E as fraquezas humanas que habilidosamente procuramos esconder.
Partilhou de coração aberto
O afecto e a ternura que vêm das suas convicções.
Exortou-nos para uma vida cheia de amor e solidariedade,
Deu-nos a sua visão intemporal de uma existência cósmica, espiritual
Alertou-nos para a passividade
De uma vida indiferente ao sofrimento alheio,
Para a necessidade de sermos responsáveis
Pelos nossos actos e acções,
Numa prática diária sustentada em 5 princípios.
Guardo estas recordações num lugar seguro e único,
Onde qualquer pessoa merecedora pode entrar
Através de uma porta estreita da qual apenas eu tenho a chave.
O meu coração.

Namasté  Mestra 


Nelson Neves


Muito Grata Nelson 

A.



Considerações sobre Reiki







Considerações sobre Reiki






Por vezes somos confrontados com questões de pessoas acerca da nossa percepção sobre o que é o Re Ki
Tornar-se um Iniciado é tão só o principio do Caminho Dourado do auto-conhecimento
No entanto, a sintonização intensifica-se, torna-se efectiva, ao despertar a capacitação interna, que deriva da ligação que cada um faça a Rei, a Energia Cósmica, pelo trabalho que vai fazendo, principalmente consigo mesmo.

Porque Rei Ki, é uma filosofia de vida....

Sei que o modismo que hoje envolve o Rei Ki leva a que se façam os níveis de Rei Ki de forma consecutiva, e até num mesmo dia...mas isso meus queridos não se enquadra na forma como sentimos o Rei Ki.
Tal como recomendo sempre que cada Iniciado deve continuar ligado ao seu Mestre, recomendo a todos os Mestres, que mantenham a ligação com os seus Iniciados.
A tradição das antigas escolas de saberes é aplicável ainda hoje no que toca ao mútuo respeito e apoio.
Isto significa que o Mestre deve estar sempre presente, mas que o Iniciado deve saber respeitar o tempo do Mestre.
Significa também, que o Iniciado deve seguir o Mestre, mas que o Mestre deve ter caminho para mostrar.

Porque Rei Ki, é ligar-se pelo coração....

O Mestre deve expandir, e nessa expansão transporta os seus Iniciados que crescem com ele. Daí que a missão do Mestre deve ser de trabalho e instrução constante para si mesmo, para que o possa transpor para os seus Iniciados.

Porque Rei Ki, é integração pelo trabalho contínuo....

No entanto tornam-se pertinentes ainda outras considerações.
O facto do percurso possibilitar o envio de Rei Ki à distância e estar ligado às dimensões subtis, engloba em si mesmo uma ética acrescida no que toca ao respeito pela individualidade de cada ser. Por vezes é muito ténue e imperceptível a barreira que separa o nosso “querer doar” a outros, da necessidade ou aceitação que essas pessoas possam ter, ou ainda da fomentação do próprio ego e complacência energética que dali retiram.
É ainda pertinente lembrar que a higiene energética do doador, deve ser tão ou mais acautelada do que no Rei Ki presencial, e nestes cuidados estão a exclusão total do tabaco, drogas ou álcool.
Como também todo doador deve ter como condição essencial não doar Rei Ki quando se encontre doente ou em desarmonia psico-emocional.

Porque Rei Ki, é uma “terapia” diferente….

Reiki é Energia Consciente, é Energia Divina.
O que podemos recomendar é o trabalho assíduo com Rei Ki, em si mesmo, e que cada pessoa faça registo das suas experiências, é uma óptima forma de se aperceber do caminho percorrido.
Contrariamente ao que por vezes pensamos, a nossa disponibilidade para a partilha,  não é um facilitador, bem pelo contrário, é um maravilhoso sentido de responsabilização, de aprimoramento pessoal, para que possamos doar, continuamente, o melhor de nós.

A todos os caminhantes algures no Caminho do Coração

Luz e Paz

Maria Adelina de Jesus Lopes