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sábado, 11 de novembro de 2017

Reparem bem... Isto é a realidade da manipulação generalizada da humanidade

Trecho retirado do Macroscópio

Por José Manuel Fernandes


Em contrapartida o que cada vez mais pessoas tomam em conta, e as preocupa, são os efeitos que a inteligência artificial e a automação terão sobre a organização da sociedade e o mercado de trabalho. É o outro lado da euforia de todos os que estiveram na Web Summit, um outro lado que Manuel Muñiz aborda no Project Syndicate em Economic Growth Is No Longer Enough. É um texto onde sublinha, por exemplo, que “Automation of fairly sophisticated routine jobs is driving the polarization of the labor market. What remains are either hard-to-automate tasks that require little or no skill, or hard-to-automate tasks that require very high skills. The latter jobs are much smaller in number than the former, and they happen to be in frontier firms that are leveraging the effects of technology to outperform direct competitors, and to expand into new markets. This brings us to the central question of our era: How can leaders address the externalities produced by rapid technological change, and thereby ensure economic and political sustainability? Put another way, how can we construct a new social contract for the digital age?


 
A semana passada a The Economist dedicou a sua capa, o seu primeiro editorial e o seu artigo de fundo às redes sociais – mas não para as elogiar, antes para sublinhar os riscos que colocam. O título não podia ser mais sugestivo: 
Do social media threaten democracy? O texto explica a lógica de funcionamento das redes, que abrem quase infinitas possibilidades de intervenção a quem as saiba utilizar de forma sofisticada: “They collect data about you in order to have algorithms to determine what will catch your eye, in an “attention economy” that keeps users scrolling, clicking and sharing—again and again and again. Anyone setting out to shape opinion can produce dozens of ads, analyse them and see which is hardest to resist. The result is compelling: one study found that users in rich countries touch their phones 2,600 times a day.” Qual o problema? É que os utilizadores só vêm o que lhes é mostrado, e o que lhes émostrado é aquilo de que eles gostam, ou seja, “the system dishes out compulsive stuff that tends to reinforce people’s biases”.
 
Como é sabido a campanha de Trump usou com mestria as redes sociais para fazer chegar as suas mensagens exactamente a quem queria que estas chegassem, sendo que o arquitecto dessa estratégia, Jaime Bartlett, até esteve na Web Summit. Muitos apuparam-no, mas Ricardo Costa, no Expresso Diário, defendeu que estamos perante 
O homem que percebeu o Facebook. Como? Assim, por exemplo: “É incrível como há um ano não havia quase ninguém a prestar atenção ao uso que a campanha de Donald Trump estava a fazer do Facebook, com uma publicidade programática tão especializada que chegou a fazer várias vezes mil (sim, mil) versões ligeiramente diferentes do mesmo anúncio e pequenas mensagens dirigidas apenas a quatro (sim, quatro) eleitores! Tudo isto feito por programação e com equipas inteiras de funcionários do Facebook contratados pela campanha de Trump. Atenção, que os mesmos serviços foram oferecidos à campanha de Hillary, mas foram recusados...”
 
Gordon Hull olhou para estas possibilidades e, na Capx, atraveu-se a ir mais longe do que a Economist em 
Why social media is bad for democracy. A sua tese é que as redes sociais acentuam a estanquidade das “bolhas” em que os eleitores vivem, “bolhas” onde só conhecem a parte da realidade que reforça as suas ideias e os seus preconceitos. Sobre as consequências que isso tem para a democracia recorda “The late political scientist Benedict Anderson famously argued that the modern nation-state is best understood as an “imagined community” partly enabled by the rise of mass media such as newspapers. What Anderson meant is that the sense of cohesion that citizens of modern nations felt with one another – the degree to which they could be considered part of a national community – was one that was both artificial and facilitated by mass media. Democratic polities depend on this shared sense of commonality.” Ou seja, ter o sentido de pertença a uma mesma comunidade é importante para que exista um espaço comum onde se debatem ideias e propostas: “Communities share and create social realities. In its current role, social media risks abetting a social reality where differing groups could disagree not only about what to do, but about what reality is.”
 
Julgo que a leitura destes dois artigos justifica recuperar um ensaio de Marc F. Plattner publicado em Outurbo de 2012 no Journal of Democracy, um texto muito sólido sobre a relação entre órgãos de informação e democracia. Trata-se de 
Media and Democracy: The Long View e nele já se mostrava como a pulverização do espaço público, ainda antes das redes sociais terem chegado à actual sofisticação, estava a erodir o espaço público essencial ao debate de ideias em qualquer democracia. Como já então notava, “There is reason to think hard about what could be done to counter media tendencies that threaten to erode the shared civic arena essential to democracy.”
 

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