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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
Trabalho Físico e Trabalho Espiritual - O comboio nos dois carris, lembram?
Para
imensas pessoas, o trabalho físico é incompatível com o trabalho espiritual.
Ora bem, elas enganam-se, porque qualquer actividade física pode ser
espiritualizada se se souber introduzir nela um elemento divino e, em
contrapartida, uma actividade espiritual passa a ser extremamente prosaica se
não visar um ideal superior. Todos os que tomam a vida espiritual como pretexto
para abandonarem o trabalho, a cooperação, a luta pela justiça no plano físico não são espiritualistas, na
realidade, mas preguiçosos. Muito poucos seres são capazes de manter um
verdadeiro trabalho espiritual durante várias horas. Os outros deixam-se levar
apenas por divagações que os enfraquecem, que os transtornam; muitas vezes,
fariam melhor se fossem lavar roupa, cozinhar ou tratar do jardim. Ainda há
muitos mal-entendidos sobre esta questão. A espiritualidade não consiste em recusar
as actividades físicas, mas em saber utilizá-las para se elevar, se harmonizar, se
ligar a Deus.
Tenho
ouvido frequentemente pessoas que se intitulam espiritualistas dizerem que, ao
trabalharem no plano físico, perdiam a sua luz! Meu Deus! Mas o que compreenderam
elas da natureza da luz? Os homens primitivos sabiam mais do que elas a este
respeito. Quando queriam acender o fogo, por exemplo, eles pegavam em dois
pedaços de madeira e esfregavam-nos um no outro: este atrito produzia calor e,
passados uns momentos, aparecia uma chama, a luz. A luz é, pois, o resultado do
movimento e do calor. Sim, aquele que faz trabalho no plano físico pondo nele
toda a sua convicção e consciência sente nascer em si o amor, "o
calor", por esse trabalho; o seu coração rejubila e jorra uma luz no seu
espírito.
Deveis,
pois, compreender que o trabalho no plano físico é indispensável para a
evolução de cada um. Mesmo que ninguém vo-lo peça, vós próprios deveis
obrigar-vos a ele; isso reflectir-se-á de uma maneira benéfica em primeiro
lugar na vossa saúde, mas também na vossa compreensão das coisas. Desde acções sociais para o bem conjunto, e também em vossa
casa, sempre que tiverdes ocasião de limpar, de arrumar, de lavar, de coser, de
fazer pequenos trabalhos, fazei-o, nunca vos mostreis negligentes. Dizei a vós
próprios que não é deixando o trabalho material para os outros que dareis
mostras de que sois mais evoluídos. Precisais de vos desembaraçar de uma vez
por todas desses conceitos errados. Se imaginais que trabalhando fisicamente
perdereis a vossa luz, muito bem, é preferível perdê-la, porque essa não é a
verdadeira luz! A verdadeira luz ninguém a perde trabalhando, pelo contrário.
Se trabalhardes, ela não vos abandonará; é graças ao trabalho que
compreendereis melhor as coisas, que fareis descobertas, não é deixando-o para
outros, alegando que estais em conversa com os anjos ou com o Senhor.
A
verdadeira luz está ligada ao verdadeiro amor, o verdadeiro amor está ligado à
verdadeira vontade e a vontade treina-se pelo trabalho no plano físico.
Mestre
Omraam Mikhaël Aïvanhov.
domingo, 18 de fevereiro de 2018
sábado, 17 de fevereiro de 2018
A propósito de… p/ Marta Sobral
A propósito
de…
Aquilo que
muitos agora defendem para agilizar a Morte, penso que é o resultado de séculos
em que a Morte foi dogmatizada pela igreja, usando-a como arma de poder sobre
os Homens, que são dominados pelo Medo daquilo que não compreendem e que são
criados numa civilização em que a ligação inata com o divino, manifestada na
ligação à natureza, foi cortada e mediatizada pelas religiões dominantes. Se
calhar deve ser por isso que não me surpreende o silêncio dos católicos,
provavelmente a confissão que mais cultivou o medo da morte, que no íntimo dos
seus crentes continua bem enraizado e os convida a um confortável silêncio.
Não é por
acaso que nas civilizações ditas atrasadas, menos evoluídas, em que a ligação à
natureza se mantém como parte estruturante da Vida, a Morte é encarada com
maior leveza, respeito e até em clima de celebração, como em África. Encontro
na visão budista, que encara a Morte como um momento do processo natural que é
a Vida, uma abordagem que me ajudou a pacificar com o medo secular da morte,
fazendo-me entender que a qualidade da minha morte apenas a mim me
responsabiliza, pela forma como conduzo a vida. E no derradeiro momento não
devemos reclamar o papel de julgadores, decidindo quem deve ou pode viver ou
morrer, ou como e quando se deve morrer. A morte de cada um é um processo
individual, marcado pelas leis do carma e do merecimento individual, sendo
também muitas vezes uma prova de compaixão e de exercício do perdão, para quem
assiste aquele quem se aproxima da morte:
“Segundo os
ensinamentos budistas, devemos fazer tudo ao nosso alcance para ajudar quem
está a morrer a lidar com a sua deterioração, dor e medo, oferecendo-lhe um
apoio cheio de amor que dará sentido ao final da sua vida. Cicely Saunders,
condecorada com a Ordem demérito pela rainha isabel II e fundadora do Centro de
cuidados paliativos de st. Christopher em Londres, afirmou: “Se um dos nossos
doentes solicita a eutanásia, significa que não estamos a fazer o que nos
compete”. Ela argumenta contra a legalização da eutanásia e refere: Não
somos uma sociedade assim tão pobre que não possa dispensar tempo, trabalho e
dinheiro para ajudar as pessoas a viverem até á morte. É nosso dever
aliviar-lhes a dor que os aprisiona no medo e na amargura. Para que tal
aconteça não precisamos de as matar …. Legalizar a eutanásia voluntária
(activa) seria um acto irresponsável, que dificultaria a ajuda, pressionando os
vulneráveis e abdicando do nosso verdadeiro respeito e responsabilidade
para com os mais frágeis e mais velhos, os incapacitados e perante
aqueles que estão a morrer”. In O Livro
Tibetano da Vida e da Morte.
Já no
Espiritismo, fez-se luz sobre a razão de a morte não dever ser abreviada, face
à importância de um último minuto consciente e redentor, durante o qual o
espírito, suavizado do seu sofrimento pela assistência e compaixão de
quem o envolve, pode pacificar-se com a sua vida e partir em paz:
“Sei muito
bem que há casos que se pode considerar, com razão , desesperadores. Mas se não
há nenhuma esperança fundada de um retorno definitivo à vida e à saúde, não há
também incontáveis exemplos de que, no momento de dar o último suspiro, o
doente se reanima e recobra a sua lucidez por alguns instantes? Pois bem! Essa
hora de graça que lhe é concedida pode ser da maior importância , pois ignorais
os pensamentos que o espírito pode pôde fazer nos seus momentos finais da sua
agonia e quantos tormentos lhe pode poupar um minuto, um momento de
arrependimento. O materialista que apenas vê o corpo e não se dá conta da alma
não pode compreender estas coisas. (…) Suavizai os últimos sofrimentos tanto
quanto vos seja possível fazê-lo, mas guardai-vos de encurtar a vida, que seja
apenas um minuto, pois esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro”. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Alain
Kardec.
Nas duas
perspectivas, enaltece-se a importância da assistência compassiva e amorosa de
quem acompanha a pessoa até esse momento derradeiro, assim se encarando a Morte
como uma missão ou um desafio, quer para quem parte, mas também para quem pode
aliviar os medos e sofrimentos dessa partida.
Marta Sobral
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
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